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Puxa-sacos sempre existiram na política e em qualquer ambiente de poder. Historicamente, os homens que detêm algum tipo de prestígio sempre tiveram em seu entorno aquelas figuras torpes e bajuladoras que podemos chamar de puxa-sacos, babões, etc.
Num tempo não tão distante, os puxa-sacos eram, quase sempre, pessoas sem relevância que se satisfaziam em bajular o poderoso em troca de alguma benesse ou mesmo para passar a ideia de que tinham moral com o seu superior. Hoje, porém, o que vemos são pessoas investidas em postos de poder, e que, mesmo assim, se prestam ao papel de serem babões. Na prática, os puxa-sacos não são mais só os “zé ruelas”.
Na política, essa realidade está cada vez mais evidente. No Piauí, mais ainda! Diferente de algumas décadas atrás, quando muitos políticos tinham firmeza em suas posições, hoje temos uma classe política totalmente subserviente e de calças abaixadas para o governante de ocasião, seja ele quem for e de qual partido for. Ainda existem exceções, claro, mas elas estão cada vez mais raras.
Tempos atrás, nem mesmo os prefeitos do interior se curvavam ao palácio estadual, razão pela qual, em muitos momentos, até a civilidade política ficava de lado. Era comum situações em que o governador ia à uma cidade e o prefeito, além de não prestigiar a comitiva, ainda usava seu poder local para boicotar a presença do gestor estadual.
É óbvio que ninguém é saudosista desse nível de animosidade política, mas essa realidade de outrora serve de parâmetro para mostrar como no passado existiam homens públicos de posição firme, de palavra. E olha que naqueles tempos as dificuldades de recursos públicos eram maiores e, mesmo assim, a maioria dos prefeitos conseguia administrar suas cidades sem precisar se comportar como puxa-sacos de governo.
Contudo, a realidade atual não se resume aos prefeitos. Deputados também se comportam como puxa-sacos, num nível de subserviência jamais visto. A Assembleia Legislativa do Piauí já foi uma casa palco de grandes debates, muitos deles acalorados. Houve tempos – cada vez mais distantes – em que a composição do parlamento era bastante equilibrada, praticamente com metade oposição e outra situação.
Hoje, se o grupo de um governante elege minoria na eleição, ele já assume com maioria no Poder Legislativo. Os deputados, salvo raras exceções, fazem de tudo para serem absorvidos pelos palácios. Importante citar que, no passado, até mesmo os políticos aliados dos governos não eram tão submissos como os de hoje. Ser aliado não significava passar pano para absolutamente tudo como nossos representantes atuais fazem.
Com esse grau de submissão, o equilíbrio e a independência dos poderes ficam seriamente comprometidos, além de enfraquecer a política e privar a sociedade da existência de líderes altivos e de posições firmes. Quem está investido em cargo público, eleito pelo voto popular, precisa se comportar à altura da missão que o povo lhe confiou, e não agir como puxa-saco do governante do andar de cima.





